Caminhei lentamente até o batente da porta, meu corpo macilento me encara de volta no brilho da maçaneta e após duas baforadas eu dei um passo a frente. Em casa, enfim. Meu primeiro impulso foi jogar as roupas pela casa, rumar já despida até o chuveiro e me desfazer sob a água gelada... Pisquei. Em um piscar encontrei-me na varanda, acendendo um cigarro e cantando a minha música favorita daquela sua banda favorita. Pisei em casa mas a sola do meu pé ainda está colada na tua, de número 47. Eu sinto o azulejo gelado mas quando olho para baixo só vejo pés e cama, um relógio parado me encarando de volta. Murmurando, repeti:
- Você tá tão cheiroso! Volta aqui!
Agora só tem vento, cheiro de cigarro e chão gelado. Não da para esticar os braços e te alcançar, não da para te puxar de volta para cama, já não posso fazer um bico e te implorar com os olhos para enrolarmos mais um pouquinho. Eu já estou em casa mas ainda estou no teu quarto; ainda te sinto cheiroso e ainda quero que volte. Olho pro céu, da varanda, daqui não dá para arrumar as listras mas eu posso fingir.
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