2 de mai. de 2014

Na hora de dormir

Estabilizador de humor meu Cu
Não tem humor
Humor o caralho
Vão derrubar a porta
Vão po-la abaixo
Desconstruir
Destruir
Desabar
Sabotar
Sangrar
Partir

Olhos de Suicida

Há cá uma menina com os olhos pulsantes tristes, fazem-me querer doar todo conforto que há em mim - se é que resta ainda algum! 
Guardo um medo da dor, assusta-me  a dor dos outros… encontro-me, porém, perdida nesses olhos tristes. Olhos saudosos, chorosos e doces. Olhos de alma profunda.
É tão bela a dona deste par de olhos! Percebo com clareza, que seu charme emana da tristeza e nessas duas íris cor-de-mel, fantasio silenciosa adernar. Quero cuidar destes olhos tristes, trazer o sorriso que merecem.

Pulso Contínuo

Não prezo Não presto                    
Não quero Não gosto
Não gozo Sem gosto
Tem fogo Vem logo
Me jogo Num jogo
Tem gosto Te gosto
Não forço Com força
No fundo Sem fundo
O vazio O mundo
No espelho No meio
Sem meio Sem Jeito
Careço 
Apreço
Sem preço Com pressa
Sem Mais
Sem Vida 
Sem sentido Venho sentido
Não consentido 
Quero sentido
Sentido vazio Buraco
Aspirador de Emoções
Impulsos sem pulso
Não pulsa o pulso
Compulsão!
Não para Não cessa
Só arde Só dói
Só morre Só some
Não soma
Só morre

Éden Particular

Me vejo quase um abismo 
Que com flores do campo fiz questão de acolchoar
Para quem merecer nesse abismo mergulhar
Cair  ardente no fundo do poço de meu paralelismo

Colher antíteses nas planícies de catatonia
Provar no rosto minhas brisas ansiosas paranóicas
Recostar na árvore em eterna agonia
Sustentada por meus princípios de moça estóica

No fim da queda um éden
Dentro do éden meus frutos
Semeando novos monstros. 
Guardo receosa um canto escuro, um pedaço meio errante da minha psique que tira meu sono, que tira meu gosto, meu gozo. Não abro, não mostro! Nem eu mesma sequer o olho! 
Ecoo atordoada um canto obscuro, uma nota dissonante da minha alma que grita em meu sono, que aparece nos meus gostos, traz meu gozo. Eu grito, escancaro! Nem eu mesma sequer me ouço!