Encarnei como se uma última chance me fosse dada
Cravei violenta no livro de minha vida letra por letra
Recebi e imprimi em meu corpo cada vil resquício
De qualquer sensação à minha alma sedenta concedida
Fuídico, vísceral e implacável
Meu soprar de energia vital
Meu baforar úmido de satisfação
Correu-me no corpo como o sangue inflamado
Tremeu-me a alma como as rijas coxas fazem
No encontro do meu gozo terno e a tua saliva
Recebi e entreguei como se fosse a última vez
Ah! Aflita fico ao ver que no âmago desejo
Pura e sinceramente
Que não o seja!
Tô fodida!
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20 de out. de 2014
4 de set. de 2014
Retorno
Não custava-te nada! Sequer o menor dos esforços!
Manteve-te indevassável, impenetrável, impedaçável
Por quantas vezes estendi-te os braços e os teus, insossos?!
Pois ficava assim! Pois deixava-me expelir o intragável!
Quando há pouco a chaga fechava, pérfida latejante
E os calos amiúde incomodavam menos a passada lenta
Vieste esmagando-me o peito feito mão de gigante
Sorriste e gracejaste de modo tal que minh'alma acalenta
Falta-me a fé jurada, o sono, a paz na madrugada
Falta-me recursos para curar-me do teu vil sorrir
Da sinfonia injusta que faz tua voz desafinada.
Manteve-te indevassável, impenetrável, impedaçável
Por quantas vezes estendi-te os braços e os teus, insossos?!
Pois ficava assim! Pois deixava-me expelir o intragável!
Quando há pouco a chaga fechava, pérfida latejante
E os calos amiúde incomodavam menos a passada lenta
Vieste esmagando-me o peito feito mão de gigante
Sorriste e gracejaste de modo tal que minh'alma acalenta
Falta-me a fé jurada, o sono, a paz na madrugada
Falta-me recursos para curar-me do teu vil sorrir
Da sinfonia injusta que faz tua voz desafinada.
28 de ago. de 2014
Tarot
Puxa a carta e escolhe outra
Arranja com cuidado na mesa e vira
Vira que é pra esculhambar
Com toda essa instabilidade escrota
Misturada com esse ensaio de pulso na veia rota
Vira o veredicto que eu tô concentrada, eu acredito
Eu tô emanando desespero! tô na duvida!
Não sei se dou de corno igual carneiro
Ou se emudeço, pratico o desapego!
Tá na mesa, ta escancarada a previsão
Tá me fitando de volta, sacana aparição
Tem morte, tem rainha e tem conflito
Tem eu nos entre-naipes, carteada
Exposta, virada, junto dos maiores arcanos
Desvendando os meus dilemas desarmada.
Arranja com cuidado na mesa e vira
Vira que é pra esculhambar
Com toda essa instabilidade escrota
Misturada com esse ensaio de pulso na veia rota
Vira o veredicto que eu tô concentrada, eu acredito
Eu tô emanando desespero! tô na duvida!
Não sei se dou de corno igual carneiro
Ou se emudeço, pratico o desapego!
Tá na mesa, ta escancarada a previsão
Tá me fitando de volta, sacana aparição
Tem morte, tem rainha e tem conflito
Tem eu nos entre-naipes, carteada
Exposta, virada, junto dos maiores arcanos
Desvendando os meus dilemas desarmada.
27 de ago. de 2014
Tchau, amor.
Chega amor, tô me desfazendo
Tô correndo pra longe
Procurando aconchego
Que me serve paixão assim?
Eu tô pendurando a caneta
Saindo meio muda e de miudinho
Pra ver se assim pensa em mim
Se lho digo que gosto faz graça
Se lho roubo um beijo disfarça
Chega amor, tô indo embora
Tá pinicando essa espera
Na esperança de cessar sua demora
Que me serve querer assim?
Querer de longe, sem ter pra mim?
Eu tô dizendo tchau, meu querido
Esperando que se arrependa e venha caminhar comigo.
Só as loucas, as ovelhas negras, as libertárias e libertinas!
Na Jamaica carioca, perto do Pão de Açucar, residem as insanas
As que choram aos borbotões e se derramam nas palavras
As que amam com gosto a noite inteira,
As que se desfizeram das raízes, são sozinhas, ovelhas negras
De coração vermelho pulsante, de punho erguido: avante!
Com as pernas abertas, na mão carregam uma caneca
Até a boca cheia de prazeres, de debates em comoção
Mães de filhos, de ideias, de ideais e de poemas
E seguem letrando as curvas de seus próprios corpos
Se desfazendo em rascunhos, se reerguendo em noitadas
Há de se cantar, há de se dançar na chuva, há de se embebedar
De vinho, de poesia ou de... permita-me dizer de LIBERDADE!
São fortes, as ninfas jamaicanas, do jardim universitário
Sofrem, amam, cansam, comem, fumam
Pra amanha acordar de novo, pra ler Marx de novo
Pra fazer revolução.
Dedicado à Sylvia Alves, à Dannie Machado e à sensualíssima Pretinha!
As que choram aos borbotões e se derramam nas palavras
As que amam com gosto a noite inteira,
As que se desfizeram das raízes, são sozinhas, ovelhas negras
De coração vermelho pulsante, de punho erguido: avante!
Com as pernas abertas, na mão carregam uma caneca
Até a boca cheia de prazeres, de debates em comoção
Mães de filhos, de ideias, de ideais e de poemas
E seguem letrando as curvas de seus próprios corpos
Se desfazendo em rascunhos, se reerguendo em noitadas
Há de se cantar, há de se dançar na chuva, há de se embebedar
De vinho, de poesia ou de... permita-me dizer de LIBERDADE!
São fortes, as ninfas jamaicanas, do jardim universitário
Sofrem, amam, cansam, comem, fumam
Pra amanha acordar de novo, pra ler Marx de novo
Pra fazer revolução.
Dedicado à Sylvia Alves, à Dannie Machado e à sensualíssima Pretinha!
Solidão Fluída
Meu dote reside na perspectiva
Na letra corrida
Na profundidade das minhas águas
Aparentemente calmas
Tá faltando alguém pra me mergulhar em apnéia
Tô esperando alguém pra visitar os meus recifes de corais
Porque as vezes eu canto no chuveiro
E canto bem, até
Mas qual a graça se não há pra quem cantar?
Eu já cansei de me ouvir
Eu já tô saturada de ficar aqui boiando
À deriva, esperançosa, no meu mar.
Vem me navegar... Tão sozinha me sinto.
Na letra corrida
Na profundidade das minhas águas
Aparentemente calmas
Tá faltando alguém pra me mergulhar em apnéia
Tô esperando alguém pra visitar os meus recifes de corais
Porque as vezes eu canto no chuveiro
E canto bem, até
Mas qual a graça se não há pra quem cantar?
Eu já cansei de me ouvir
Eu já tô saturada de ficar aqui boiando
À deriva, esperançosa, no meu mar.
Vem me navegar... Tão sozinha me sinto.
Tesão Etílico
Da última vez que te vi entornei o caneco
E o fizemos juntos como dois sãos cansados
Com fome de loucura e fritura de boteco
A realidade torpe nos entristece e é visível
Como o álcool pouco a pouco nos amolece
Você sorriu e a vontade do seu beijo me tomou, invencível
Balancei na cadeira como quem pende embriagado
O beberia como o último gole desse copo de cerveja
Vejo nos gestos que embora genuíno meu beijo seria negado
Reclino, bebo mais, rio contigo
Do seu sorriso
Do nosso papo
Do seu bigode
Volto pra casa, deito na cama
De saco cheio
De vontade reprimida
De porre
Desde a última vez que te vi eu só penso em entornar o caneco
Em passar mal e embrulhar o estômago de tanto beber sua saliva
De toma-lo nos braços e ceder à essa gana
Te beijar fora do sonho, te rasgar com as unhas
Te embebedar e te levar pra cama
Mostrar como é o sexo apaixonado da mulher ariana.
E o fizemos juntos como dois sãos cansados
Com fome de loucura e fritura de boteco
A realidade torpe nos entristece e é visível
Como o álcool pouco a pouco nos amolece
Você sorriu e a vontade do seu beijo me tomou, invencível
Balancei na cadeira como quem pende embriagado
O beberia como o último gole desse copo de cerveja
Vejo nos gestos que embora genuíno meu beijo seria negado
Reclino, bebo mais, rio contigo
Do seu sorriso
Do nosso papo
Do seu bigode
Volto pra casa, deito na cama
De saco cheio
De vontade reprimida
De porre
Desde a última vez que te vi eu só penso em entornar o caneco
Em passar mal e embrulhar o estômago de tanto beber sua saliva
De toma-lo nos braços e ceder à essa gana
Te beijar fora do sonho, te rasgar com as unhas
Te embebedar e te levar pra cama
Mostrar como é o sexo apaixonado da mulher ariana.
17 de ago. de 2014
No fim vesti você
Abri as portas do guarda-roupa improvisado
Nele há de tudo um pouco e quase tudo pretoPenso que agora já é pouco até o ter ao lado
Faço as contas em um silêncio inquieto
Afasto cabides e ensaio diálogos
Hoje eu o quis dormindo por perto
Há no fundo da gaveta aquela sua camiseta branca
Que acidentalmente eu manchei mês passado
Mas ela continua comigo e lhe vou ser franca
Vesti às pressas seu presente e o tecido me caiu pesado
Senti a impaciência tomando conta e o peito apertado
Quero logo vestir mais que suas roupas
O quero amassando meu cabelo em um colchão improvisado
Me acordando com um bom dia e um sorriso de lado
Percebi que a noite seria longa porque
Entre tantas outras opções
Hoje eu vesti você.
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11 de ago. de 2014
Convexa: Virtual, direita, cada vez menor.
No meu tripé há letras e canções
Há vírgulas, ditongos e rabiscos
Minha imagem se faz em parágrafos
As suas em frames
Eu demonstro letra fluída
Você lê tudo imagem estática
Eu te coloco no centro do quadro e transcrevo
Você enquadra o mundo e eterniza
Abaixa um pouco a câmera, porra
Corre os olhos nesses versos
Muda a perspectiva
Vem te ver como o vejo! Por que 'cê tá cada vez menor?!
Por que cê tá cada vez mais longe quando eu olho pelo lado de cá da lente?!
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Eles
Ela era zippo e ele fósforo
Ela era carvão e ele marca-texto
Ela era lisérgica e ele era monocromático
Ele era planos e ela desejo
Ele era marola e ela arrebentação
Ele era sabedoria e ela era gracejo
Ela era bunda e ele peito
Ela era pimenta e ele sal
Ela era empirismo e ele era tese
Ele era terra e ela fogo
Ele era mercúrio e ela éter
Ele era monarquia e ela era anarquia
Você era ele e ela eu
Eu era nós e você adeus.
Ela era carvão e ele marca-texto
Ela era lisérgica e ele era monocromático
Ele era planos e ela desejo
Ele era marola e ela arrebentação
Ele era sabedoria e ela era gracejo
Ela era bunda e ele peito
Ela era pimenta e ele sal
Ela era empirismo e ele era tese
Ele era terra e ela fogo
Ele era mercúrio e ela éter
Ele era monarquia e ela era anarquia
Você era ele e ela eu
Eu era nós e você adeus.
28 de jul. de 2014
Pêndulo Lírico
Pendi insegura quase como quem pede pra ficar
Dobrei os tornozelos
Tal qual o código moral que me pede aguardar
Um dia ou dois ou uma hora ou mais
Não vejo tanto sentido nesses pudores
Se não cedesse à vontade hoje ao deitar seria tarde demais
O bom de ser impulsiva é ser impulsiva
O ruim de ser impulsiva é ser impulsiva
Pendi porque desejei mas também pra lhe testar
Seus sinais todos tortos meio ambíguos
Não cansaram meus olhos atentos a vigiar
Sei só que como um pêndulo encontre-o e retornei
Tal como um pêndulo sinto a inércia me tomando
Uma ânsia de re-dobrar os tornozelos e voltar
O bom de ser impulsiva é ser impulsiva
O ruim de ser impulsiva é ser impulsiva
...E com o pulso quente impulsionei-me: pendi.
Dobrei os tornozelos
Tal qual o código moral que me pede aguardar
Um dia ou dois ou uma hora ou mais
Não vejo tanto sentido nesses pudores
Se não cedesse à vontade hoje ao deitar seria tarde demais
O bom de ser impulsiva é ser impulsiva
O ruim de ser impulsiva é ser impulsiva
Pendi porque desejei mas também pra lhe testar
Seus sinais todos tortos meio ambíguos
Não cansaram meus olhos atentos a vigiar
Sei só que como um pêndulo encontre-o e retornei
Tal como um pêndulo sinto a inércia me tomando
Uma ânsia de re-dobrar os tornozelos e voltar
O bom de ser impulsiva é ser impulsiva
O ruim de ser impulsiva é ser impulsiva
...E com o pulso quente impulsionei-me: pendi.
27 de jul. de 2014
De número x
Com ele tudo era música
Cabelo desarrumado
A boca feita em um bico
Cedi um sopro de desejo sustenido
Compus com ele um beijo
Tamanha nossa harmonia
O mundo girou sinfonia
Tudo era música.
Cabelo desarrumado
A boca feita em um bico
Cedi um sopro de desejo sustenido
Compus com ele um beijo
Tamanha nossa harmonia
O mundo girou sinfonia
Tudo era música.
Neolovismo
Quisera eu criar palavras
Saber com maestria juntar traços
Como quem reorganiza letras
Faz um novo vestido de velhos trapos
Pintar na folha as cores da alma
Um novo Dialeto
Dizer por completo
Tudo o que meu
Eu te amo
Mais sincero
Não foi capaz de dizer
Com tudo o que se tem por amor
Com tudo o que se tem por afeto
Eu te amo
Eu te amo
E ainda sinto que não expresso.
Saber com maestria juntar traços
Como quem reorganiza letras
Faz um novo vestido de velhos trapos
Pintar na folha as cores da alma
Um novo Dialeto
Dizer por completo
Tudo o que meu
Eu te amo
Mais sincero
Não foi capaz de dizer
Com tudo o que se tem por amor
Com tudo o que se tem por afeto
Eu te amo
Eu te amo
E ainda sinto que não expresso.
25 de jul. de 2014
Cascata Semântica
EU:
Monossílabo tônico como a água que eu gosto acompanhando meu rum.
HUM:
Som automaticamente emitido quando a conversa me é desinteressante. (Quase sempre)
SEMPRE:
Puta palavra escrota. Próxima!
PRÓXIMA:
Remete à esperança, continuidade, deslocamento.
DESLOCAMENTO:
Volte ao topo.
Monossílabo tônico como a água que eu gosto acompanhando meu rum.
HUM:
Som automaticamente emitido quando a conversa me é desinteressante. (Quase sempre)
SEMPRE:
Puta palavra escrota. Próxima!
PRÓXIMA:
Remete à esperança, continuidade, deslocamento.
DESLOCAMENTO:
Volte ao topo.
21 de jun. de 2014
A vida imita a arte
Nasci e fui criada no meio da arte:
Mamãe sempre teve o dom de pintar na cara o sorriso quando quis chorar;
Papai, então! Sabia mesclar tão bem as cores que dava impressão de tirar leite de pedra;
Irmã sempre foi cor pastel, por dentro quem sabe uma Noite Estrelada...
Eu sempre fui meio esboço, sempre mudando um pouco o traço:
Ora respondia pincelada, ora manifestava o Sagazan;
Por vezes minha alma esfarelava feito carvão em canson
Outrora me via aquarela dançante.
Dos cavaletes feitos dessa árvore genealógica, sempre acreditei ser o mais tosco.
Ser Dadaísta em um meio Beaux-Arts - polimorfo e intrigante.
De concreto em minha obra só que não sou Concretismo
Sei que as vezes meu lado Tenebrista aflorou forte
Mas perdoado o maniqueísmo sei que pintou n'alma um Expressionismo
Tracei veemente sobre a pele, todos os quadros cor púrpura
Desculpa mas discordo, eu que nasci no meio de vocês declaro:
A arte é que imita a vida.
Mamãe sempre teve o dom de pintar na cara o sorriso quando quis chorar;
Papai, então! Sabia mesclar tão bem as cores que dava impressão de tirar leite de pedra;
Irmã sempre foi cor pastel, por dentro quem sabe uma Noite Estrelada...
Eu sempre fui meio esboço, sempre mudando um pouco o traço:
Ora respondia pincelada, ora manifestava o Sagazan;
Por vezes minha alma esfarelava feito carvão em canson
Outrora me via aquarela dançante.
Dos cavaletes feitos dessa árvore genealógica, sempre acreditei ser o mais tosco.
Ser Dadaísta em um meio Beaux-Arts - polimorfo e intrigante.
De concreto em minha obra só que não sou Concretismo
Sei que as vezes meu lado Tenebrista aflorou forte
Mas perdoado o maniqueísmo sei que pintou n'alma um Expressionismo
Tracei veemente sobre a pele, todos os quadros cor púrpura
Desculpa mas discordo, eu que nasci no meio de vocês declaro:
A arte é que imita a vida.
18 de mai. de 2014
11 de mai. de 2014
Convite
Ele que me nega o beijoMal sabe do mundo que carrego em meu peito
Mal vê que minha alma é tesouro e que
Por simpatia sincera abro-lhe o seio!
É um explícito convite a esse moço que, receio,
É capaz de fazer-me mostrar um a um meus limites.
Eu que sou timoneira me inclino a ancorar-me nele
E confesso: em momentos vacilo.
Há pudores que me pedem
Mas há desejos que a mim gritam
Cá em pensamento estou aos berros: O quero! O quero! Ele merece!
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Poema da Margareth
2 de mai. de 2014
Interrogação
Quero
Falar Fazer Tramar
Falar Fazer Tramar
Confabular
Confraternizar
Realizar Visualizar
Apartar
Separar Ser Parar
Para Ser O Quê?
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