27 de out. de 2014

O dia em que abri a porta de trás

O chão rajado púrpura sob pés duros de gente tal qual gesso
Cercado de paredes altas imponentes isolando-me do mundo
Restando apenas um grito ensurdecedor no silêncio espesso

O chão de um Pollock Suicida, os ladrilhos tortos solidários
O alicerce da minha casa me foi sempre morno e acolhedor 
Já as paredes me sufocavam, só quadros, portas e armários

Tentei correr mas vi-me de novo no piso de meu lar algoz
"Há que abandonar esta casa de família, ha de ir sozinha!”
A porta da frente sob o pé direito alto, como da mãe a voz
Rasguei as raízes do chão, quero viver não vida tua, a minha!

Dei as costas ao hall enorme de minhas dores
Segui arfando até a porta de trás, meu último recurso
Pisando na soleira vi-me abandonar os primeiros amores
Adeus à todos, estou livre, meu destino mais que nunca obtuso.

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