15 de nov. de 2015

Expurgo

Rasgo rascunhos para não rasgar as veias
Meu registro é escarro,
É alívio,
É até mesmo orgasmo.
Meu mercúrio permite
Que minha autofagia 
Esse expressar desenfreado
Seja tênue limite
Entre minha redenção e calvário
I love you
Put me to sleep
Words like sirens
Wich I can't keep
Silent, like I am 
While wishing dead 
When asleep

12 de nov. de 2015

22

I was standing, you were there
Do outro lado, nem tão longe
E me reconheceu de imediato
Eu de amarelo, com purpurina
Na testa e a tinta na bochecha
Ajudou encobrir o meu rubor.
Cabelo desarrumado e o meu
Coração desvirtuado,  pôs-se
A bater desenfreado,
Sob o sol de janeiro
No meio do pátio.
Two worlds collided
Eu que pura espontaneidade
Travei surpresa com tua
Presença forte simplista
Teu chamado ecoou:
Foi aí!
Foi quando te ouvi
Que eu soube
Não tinha pra onde fugir
Não tinha chão pra me esconder
Estava parada, estavas ali
E a partir do teu chamado alegre
They could never tear us apart



Sorri na canaleta

Hoje eu sorri
Antagonismo daquilo que
Na semana ápice dos meus pesares fiz
Pé sobre pé no pedal e firme e tensa
Tão tensa que tencionei bochechas
Fortemente em direção às orelhas
Olha bem amor, hoje eu sorri
Sorri porque a canaleta era longa
E ainda me restavam algumas quadras
Pra sentir o vento no rosto
Esse prazer simples e íntimo
Retumba e faz subir à garganta
Coração ávido e rápido e pulsa
Como nunca
Porque agora a reta é infinita
Porque agora eu posso soltar as mãos
E relaxar os ombros
Olhar pra frente
Pedalar tranquila, tem chão ainda
E eu posso ir onde quiser.

3 de nov. de 2015

Chorei na canaleta

Hoje eu chorei
Chorei muito
Como não fazia há semanas
Chorei tanto que os olhos
Estes caminhos obtusos para alma
Estavam secos, estatelados
Na parede vazia um par de mãos espalmado
Só duas agora, eu as conto e choro
Mas não pelos olhos
Verti lágrimas pelos poros
Vi-me chorar o corpo todo
Desaguando todo o resquício
De viscoso lodo
Nesse peito roto
Aflita eu seguro firme o guidão
E choro
Escapam feito farpas
Gotículas de suor morno
Pois os olhos
Estes caminhos certeiros para quem ama
Já não movem, só enxergam parado
O par de mãos na parede
A canaleta que segue em frente
O meu corpo esvai-se cansado
Eu pedalo e choro e continuo dormente